Educar Lado a Lado

10 Formas De Cultivar Um Relacionamento Mais Feliz

10 Formas De Cultivar Um Relacionamento Mais Feliz
10 formas de cultivar um relacionamento feliz

No começo dos namoros é tudo uma magia… o amor… o entusiasmo… as borboletas na barriga. Não há como a fase da paixão, não é mesmo? Quando conhecemos “aquela” pessoa e a relação evolui, e nos começamos a ver a passar uma vida com ela… os planos avançam. Casamento, morar juntos, dividir contas, e, eventualmente, os filhos.

Com o passar do tempo, se até num relacionamento sem filhos a rotina pode instalar-se e as diferenças acentuam os conflitos, quando surgem crianças na família é toda uma nova dinâmica que não é nada fácil de conjugar. As atenções dividem-se por mais elementos, o cansaço das responsabilidades, a confusão de papéis (mãe, esposa, mulher) que nos deixa muitas vezes perdidas na nossa identidade. A frustração e os ressentimentos começam a surgir, bem como expectativas não cumpridas, e penso que seja por isso que a taxa de divórcios é enorme.

Pessoalmente, tenho passado a minha cota de complicações na relação, e bem posso dizer que os filhos não facilitaram nem um pouco. Se por um lado nos dão mais vontade de resolver os problemas, se funcionam como uma espécie de cola que mantém o casal mais unido e resiliente perante os desafios, por outro lado trazem mais uma panóplia de situações em que discordamos, temos expectativas e posições diferentes. Para não falar que dão imenso trabalho e sugam muita energia, não nos deixam dormir convenientemente (pelo menos os meus 🙄)… e todos sabemos que a privação do sono e o cansaço generalizado aumenta a irritabilidade, e as discussões sobem de tom e de frequência, e por aí fora.

Felizmente, no meu caso, temos tido a teimosia de fazer as coisas funcionar, o amor tem sido mais forte, e a unidade família tem sido para mim e para o meu companheiro um valor e uma prioridade de manter – dentro da maior saúde e equilíbrio possível. Fácil? Nada. Impossível? Claro que não. Há 11 anos que conseguimos ir levando o barco para a frente, não obstante maresias agitadas e tempestades ocasionais.

Como comecei a olhar de forma diferente para o meu relacionamento

Antes de ser mãe, toda eu era julgamento e expectativas perante o meu companheiro. Certamente que admitia muitas falhas minhas, mas estava sempre muito mais focada nas acusações, sendo que a a ameaça de “acaba-se já com a relação, que eu não estou para aturar estas cenas” estava sempre no ar, criando muita instabilidade na relação. A ameaça do rompimento pairou durante anos a fio, o que não deixa de ser irónico. Nem nos separámos, nem estávamos em paz. Claramente tínhamos um elo muito forte, mas precisámos de aprender a lidar com as nossas diferenças.

Quando o meu filho mais velho nasceu, e comecei a investigar mais profundamente temas de educação e parentalidade, dei com o mundo do Desenvolvimento Pessoal, acabando por me certificar em Parentalidade Consciente. Mal sabia eu que as Competências Parentais que estava a adquirir me iriam servir, e de muito, no meu casamento. Destaco a influência do trabalho de Marshall Rosenberg e a Comunicação Não-Violenta. Estes conceitos mudaram a forma como tenciono me relacionar com o mundo: começando precisamente na relação com o meu marido.

Nos meus workshops refiro muitas vezes a importância de fortalecer e nutrir a relação do casal… os filhos um dia vão às suas vidas, e quem fica é o casal. O casal é o pilar de qualquer família, foi por causa do amor do casal que a família nasceu, e que apareceram os filhos.

Ao longo desta minha jornada tenho conhecido vários trabalhos inspiradores como o que já mencionei acima, e outros, como por exemplo as 5 linguagens do amor, de Gary Chapman – trabalho muito interessante e que me tem ajudado a reposicionar na minha relação. Tem-me ajudado a libertar mais das acusações e procurar uma harmonia, um trabalho em equipa, em vez de exigências constantes e comparações. E a desistir de concursos sobre quem está mais cansado ou quem levou o lixo pela última vez. #quemnunca

Educação Parental e relacionamentos

No meu trabalho como educadora parental cada vez sinto mais esta necessidade de abordar a mulher como um todo. Não somos só mães. É impossível dissociar isso do resto. A nossa relação connosco mesmas, com a nossa família alargada, com o nosso companheiro, enquanto profissionais. Na nossa missão como mães, refletimos tudo isto. Tudo o que somos. Não podemos separar as águas. Quando me sinto frustrada, seja por motivos profissionais, ou conjugais, isso tem imediato reflexo na forma como abordo os meus filhos. Quando me sinto feliz, realizada e completa – também eles beneficiam muito disso! Fala-se muito de autocuidado e isto também é sobre isso. Cuidar de mim também é cuidar das minhas relações.

Assim, foi com muito entusiasmo que, quando fui tirar a minha certificação em Disciplina Positiva (com a Positive Discipline Association), me deparei com um baralho de cartas que são ferramentas de manutenção do relacionamento. Imediatamente adquiri o baralho e desde aí tenho estado a estudá-lo intensamente e a verificar a sua aplicação no meu próprio casamento. Algumas das ferramentas já conhecia e utilizava, e outras são novidades, ou vêm reforçar a importância de trabalhar certas áreas.

Seleccionei 10 cartas/ferramentas que me despertaram maior interesse. Aqui fica o resumo:

10 ferramentas da Disciplina Positiva para cultivar um relacionamento feliz

1. Arranje tempo para o romance

A lua de mel não tem de terminar. A intensidade da paixão inicial certamente diminui, mas o romance pode manter-se vivo. O que faziam durante o namoro que pararam de fazer? Porquê pararam? Se continuassem a fazer algumas das coisas que gostavam muito de fazer juntos durante o namoro, será que isso mudaria alguma coisa no vosso relacionamento?

No meu caso é certamente viajar a dois e comer bem. Sentar a uma mesa de restaurante e comer um bom prato e beber um bom vinho, juntos. É uma das coisas que mais nos aproxima. Felizmente temos umas avós que de vez em quando ficam com os miúdos para que possamos fazer nem que seja uma saída ao restaurante da nossa terra. São momentos que se aprofunda a conexão, cria intimidade e reforça os motivos pelos quais nos apaixonámos. Experiências a dois são muito benéficas para a manutenção do romance.

2. Escuta Ativa

Saber ouvir é uma capacidade que poucos de nós fomos ensinados a desenvolver. Evite interrogar constantemente o seu parceiro, pois isso causa resistência. Reserve tempo para sentar-se ao lado do seu companheiro, sem dizer uma palavra. Se ele perguntar o que você quer, diga: “Quero apenas sentar-me ao teu lado”. Não se surpreenda se ele começar a falar pois isso pode acontecer mais facilmente, uma vez que não se sente forçado a conversar. Se não houver comunicação verbal, apenas relaxe e aproveite a companhia dele. A sua energia de amor será transmitida, e isso concerteza tem bons efeitos na relação e conexão entre vocês.

Isto é bastante desafiante para mim, que sou muito conversadora, ao contrário do meu marido que é bem mais calado. Mas ao longo do tempo tenho-me esforçado por ouvir mais e falar menos, e sinto que isso tem feito diferença. Sinto que é muito bom para ele sentir-se ouvido, e ter espaço para apenas estar ali, se ele quiser, sem estar sempre a levar com as minhas enxurradas de conversa. Também quando estamos a discutir algum assunto nosso, ou a refletir sobre alguma questão, é muito benéfico quando eu consigo abster-me de estar sempre a interromper e comentar “Sim, mas tu também isto ou aquilo…“, “Pois, mas já viste que A ou B…”. Apenas lembrar-me da importância de ouvir sem julgamentos, sem impor o meu ponto de vista e aceitar que, por mais que não me faça sentido a mim, aquele é o ponto de vista dele. E que ele merece que seja ouvido e tomado em consideração.

3. Assuma a responsabilidade da sua Felicidade!

Não é tarefa de ninguém fazer-nos feliz, nem mesmo do nosso parceiro. Felicidade é um trabalho interno, ninguém pode fazer este trabalho por nós. Esperar que seja o nosso companheiro a fazer-nos feliz é receita para o desastre e dá-nos motivos para o culpar em vez de procurar a nossa felicidade interior. Se se sente feliz perto do seu companheiro, é porque está a vê-lo através do seu próprio estado de felicidade. A gratidão é um caminho para a felicidade, por isso procure ver o lado bom da sua vida, as suas bênçãos – pratique a gratidão.

Durante muito tempo eu colocava no meu marido a responsabilidade de me fazer feliz e de cuidar das minhas necessidades. Tinha a expectativa de que ele deveria ser atento ao que eu precisava e nutrir o meu bem estar emocional. Claro, sabe muito bem quando nos sentimos “vistas” e compreendidas, e quando a pessoa ao nosso lado sabe tão bem como nos fazer sentir melhor. No entanto, a única verdadeira responsável pelas minhas emoções sou eu mesma. O meu mapa de crenças, a minha história de vida e experiências, levam às minhas reações e emoções em cada situação, e isso só tem a ver comigo. Desde há muito tempo, que às vezes, quando discutimos, e eu fico magoada, triste, chorosa, se o João vem com sentimentos de culpa ou a querer assumir a responsabilidade, eu digo-lhe: “O que eu estou a sentir até pode ter sido ativado por uma atitude tua, mas é apenas e só a MINHA responsabilidade, tu não tens qualquer responsabilidade no que eu estou a sentir.” Isto tem-me ajudado a não projetar nele o meu “lado lunar”, e a perceber que é só a minha “bagagem”. Ele tem também a sua, que não é igualmente da minha responsabilidade. Atenção, isto é diferente de nos podermos ajudar mutuamente, compreender, ser empáticos e atenciosos. Trata-se aqui de alterar o mindset para que possamos ver-nos como uma equipa em vez de ficar a atirar culpas e acumular mágoas.

4. Limite o tempo de ecrã

Telemóveis, tablets e PCs são viciantes e interferem nas relações pessoais. Conversem sobre os vossos hábitos em relação ao tempo de ecrã. Quanto tempo vocês gastam nessa atividade? Como cada um se sente sobre isso? Pensem em soluções. Incluam uma lista de coisas que gostariam de fazer em vez de ficarem presos nos ecrãs. Escolham as soluções e atividades que ambos concordem. Dêem apoio um ao outro durante o difícil período de transição para diminuir o tempo de ecrã.

Cá em casa, como em muitas, somos os dois um pouco dependentes dos gadgets. O João aproveita os poucos momentos livres para jogar um joguinho no telemóvel que o relaxa, e eu utilizo bastante as redes sociais para me manter em contacto com amigos e família, já que sou bastante social e com a minha vida atual acabo por ficar distante de convívios e pessoas. Definitivamente, este é um ponto a melhorar cá em casa, embora até nem ache que somos dos piores casos! Quando vamos jantar, é raro olharmos aos telefones e conseguimos manter conversações por bastante tempo! No entanto sem dúvida que pegar no telefone para verificar notificações é uma constante no dia a dia. Sendo que é no telefone que tenho listas de compras, receitas, fotografias, etc., acabo por utilizar beeeem mais do que o que gostaria. E quem não se sente meio rejeitado e ignorado, quando estamos a falar e a pessoa começa a olhar ao telefone? Horrível, não é?

5. Senso de humor

O sentido de humor pode ser mágico num relacionamento quando as coisas ficam muito tensas. Lembrem-se de rir e divertir juntos. Quando se vir a ficar muito sério, procure o humor na situação. Afinal esta vida é uma passagem e como costuma dizer o caro Pedro Vieira, somos apenas uma piada cósmica. Valerá mesmo a pena levar tudo tão a sério? Junto com o seu companheiro, criem sinais que os ajudem a lembrar do vosso sentido de humor. Se num dado momento, o seu parceiro não estiver a achar graça nenhuma, pode ser que esteja a usar sarcasmo ou humor no momento inapropriado. Haja senso! 🙂

Cá em casa, posso ser eu a mais stressada, mas também sou a mais desinibida, impulsiva e emotiva, o que me traz mais facilidade em “palhaçar” e improvisar umas parvoíces, sem medo de parecer ridícula. Quando nos conhecemos, o João era um jovem bodyboarder radical que sabia como desfrutar da vida com leveza. Com o passar dos anos, a construção da família e o percurso profissional têm despertado totalmente o seu lado racional, responsável, metódico e sério. Ao longo do tempo, tenho tentado influenciá-lo a não perder a sua versão aventureira e descontraída, e a ver sempre o lado mais leve da vida. Claro que isso é mais fácil em momentos de férias, por exemplo, e o verdadeiro desafio é desdramatizar quando estamos em momentos de tensão e stress, no quotidiano. O João tem um trabalho de bastante responsabilidade e pressão diária, pelo que tento apelar muito ao lado mais brincalhão dele, até para o ajudar a relaxar. Com os filhos, vi nele a renascer um lado criança que tem sido um gosto, afinal ele é ainda melhor que eu a brincar com os filhos de faz de conta , por exemplo. Com os anos a passar, vamos também tendo as nossas piadas privadas cada vez mais afinadas e essa cumplicidade é milagrosa para a nossa conexão e senso de proximidade.

6. Crescer Juntos

“O defeito de uma pessoa é o preço que você paga pelas suas virtudes.”

Charlie Shedd

Comprometam-se a crescer juntos em vez de crescer à parte. Vejam as diferenças como oportunidades para aprenderem um com o outro. Foquem-se nos pontos fortes das vossas diferentes personalidades. Verbalize ao seu companheiro o quanto você o admira e aprecia as suas virtudes. Vocês crescerão juntos quando se focarem na vossa evolução pessoal (tentando ser o parceiro quase perfeito), em vez de desejarem constantemente que o outro seja perfeito.

Mais uma vez uma questão de mindset, já que olhar os obstáculos como uma equipa, em vez de ver o relacionamento como uma competição, é muito melhor ideia. Largar o julgamento constante e a expectativa diária, para abraçar uma postura de união e parceria. Se estamos com esta pessoa, algumas virtudes ela tem, algo nos motiva a estar com ela. Defeitos todos temos, e se olharmos para dentro concerteza admitimos que não somos também muito fáceis de aturar! Focar no potencial de cada um como complementaridade dentro do casal, é essencial para cultivar um relacionamento feliz.

7. Compreenda o cérebro

Quando estamos chateados não conseguimos comunicar de forma amável. É muito útil compreender o que acontece com o nosso cérebro. Durante o stress nós não conseguimos aceder à parte racional do cérebro (cortéx), mas apenas ao sistema límbico, que ativa a reação de fuga (ignorar, evitar confronto) ou de luta (discussão, gritos, ameaças, acusações). É impossível ter uma conversa racional quando está chateada, então, nem tente! Combinem que o primeiro a notar o que está a acontecer irá solicitar uma pausa. Depois que se acalmarem, conversem.

No nosso caso, o João ativa mais vezes o sistema de fuga – evita falar chateado, cala-se, tem muito mais capacidade de abandonar a discussão – enquanto eu ativo muito rápido o sistema de luta – gritos, exaltação, ataque, olhos muito abertos, atitude agressiva. No caso dele, a desvantagem é que acaba depois por não ter muita iniciativa de falar da situação, depois que o momento da chateação passa. Eu peco por querer dizer tudo na hora, e claro, digo da pior forma. Tenho aqui um excelente potencial, se juntar os nossos dois sistemas. O ideal é conseguir conter na hora quente. E comunicar, sim, mas na hora que passou a tempestade. Ultimamente vou sendo melhor a fazer isto – com os anos e a maturidade algum controlo de impulso eu vou ganhando. Tenho notado uma melhoria em me conter, mas longe ainda de ser perfeita. O pior são as discussões em frente às crianças. E nisso, ele consegue ajudar-me bastante: não me dá muito troco e eu acabo por me calar.

8. Olhos nos olhos

Já reparou o quão desrespeitoso é estar por exemplo na cozinha e a gritar com o seu companheiro, que está no outro lado da casa? Demonstre amor e respeito ao dedicar o seu tempo para chegar perto o suficiente para olhar nos olhos do seu companheiro. Quantos segundos leva a parar o que está a fazer, e aproximar-se de modo a que consiga olhar nos olhos do seu parceiro? Vai notar que tem maior tendência de falar de forma suave e amorosa quando se dedica a ser respeitoso.

Olhar nos olhos das pessoas de alguma forma nos traz à terra, nos lembra que estamos a falar com um ser humano. Os olhos são o espelho da alma, e de facto é mais difícil ser agressivo quando enfrentamos o outro com o olhar, quando olhamos na sua alma. Esta ferramenta, tenho de me lembrar de a utilizar mais vezes, pois é verdade que dou por mim a reclamar enquanto cozinho, enquanto ando pela casa a arrumar tralhas, ou até mesmo pelo telefone. Tenho a certeza que consigo comunicar muito melhor as minhas perspetivas se esperar, ou criar um momento em que posso falar com o meu parceiro cara a cara.

9. Educar os filhos

Casais que educam os seus filhos juntos são felizes juntos. Os opostos atraem-se: um dos elementos do casal é normalmente mais rigoroso e o outro mais permissivo. Evitem discutir sobre quem está certo e quem está errado. Façam um curso de Disciplina Positiva e aprendam a ser gentis e firmes ao mesmo tempo. As crianças merecem conviver com um modelo de relacionamento respeitoso e feliz.

Este ponto é dos mais sensíveis para mim, dado que trabalho na área e mesmo assim tenho tanto a aprender ainda. Eu sou o elemento rigoroso e mais autoritário, e ao mesmo tempo que me ando a educar e todos os dias a aprender a aplicar a firmeza com gentileza, nem sempre o faço com o meu parceiro, quando ele expressa a sua tendência, que é ser bem mais permissivo. Sou mais exigente com ele, do que às vezes comigo mesma – o que é algo injusto e incoerente, pois eu estudo esta matéria. Como me dedico a melhorar, formo a exigência de que ele tem de fazer o mesmo. Embora eu saiba que os dois temos espaço a melhorar, confesso que deveria me conter na minha crítica, muitas vezes tão imediata. É sabido que as crianças topam muito bem e aproveitam todas as diferenças e conflitos entre os pais, por isso é aproveitar para antecipar essa situação. Falar sobre as nossas escolhas parentais e estarmos o mais possível alinhados é benéfico para toda a família, e dá ao casal maior senso de união. A minha maior aprendizagem e foco nos últimos tempos é mesmo o controle de não apontar coisas menos boas em frente aos miúdos. Mesmo que não concorde, apoiar a posição do pai quando ele a toma, para criar essa fortaleza entre nós, para que as crianças não nos coloquem um contra o outro.

10. Tarefas domésticas

Harmonia e respeito são mantidos quando as responsabilidades familiares são discutidas e partilhadas. Evitem criar expectativas sobre as funções de cada um. Não presuma que é sempre tarefa da mulher limpar e trabalho do homem levar o lixo. Façam uma lista das tarefas domésticas. Decidam juntos quem está disposto a fazer cada tarefa. Vão rodando as tarefas para que uma pessoa não se torne a eterna responsável pelo lixo ou pela limpeza. Façam “reuniões de casal” regularmente para avaliarem acordos e fazer mudanças quando necessário.

As tarefas da casa são dos pontos que gera maior discórdia e ressentimento entre os casais, segundo o que me diz a experiência de conversar sobre isto com dezenas de pessoas. E pela minha própria experiência. Os papéis de género que temos, condicionados pela sociedade, ditam muitas regras nesta área, e normalmente a mulher, toda uma vida orientada e educada para cuidar da casa, sofre hoje com a acumulação destas tarefas à sua vida profissional, hoje em dia tão ou mais preenchida do que a dos homens. A evolução dos papéis nas profissões não tem sido acompanhada pelas funções e responsabilidades assumidas dentro das famílias. Não é fácil a homens nem a mulheres quebrar este condicionamento e vemos muitas mulheres que se queixam e mesmo assim assumem para si uma grande cota das responsabilidades da família. Nem falamos só de executar tarefas como estender a roupa, esfregar a sanita, cozinhar ou passar a ferro. É na preocupação de manter a rolar o “projeto-família” que muita da carga mental recai sobre a mulher. Consultas médicas, festas de anos, presentes de natal para toda a família, eventos sociais, gestão da senhora das limpezas, decisão do que fazer ao jantar, etc. – toda uma série de decisões e de planeamento que é extremamente cansativo e que é ao mesmo tempo essencial para que tudo corra bem e não falte nada. Cá em casa, têm sido 11 anos de lutas e ajustes, e ainda estamos no processo. Sofremos os dois com a forma como fomos educados, condicionados e com as nossas crenças e hábitos enraizados. O que posso dizer, é que hoje em dia sou muito melhor a colocar os meus limites e necessidades na mesa, em vez de apenas assumir tudo e depois me queixar o tempo todo.

Aqui ficaram 10 formas de trabalhar os vossos relacionamentos, espero que tenha sido de alguma inspiração. Muito mais haveria a dizer. Deixem a vossa opinião nos comentários, e se vos fez sentido esta informação, partilhem com quem acharem que pode beneficiar dela.

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