11 Dicas Para Lidar Com Crianças De Espírito Forte – [Nº 7] Não Tem De Gostar de Tudo

11 Dicas Para Lidar Com Crianças De Espírito Forte – [Nº 7] Não Tem De Gostar de Tudo
dica n 7

*consultar introdução e contexto destas 11 dicas na primeira dica, aqui.

Dica nº 7 – Não tem de gostar de tudo o que tem de ser, nem tem de dar-te razão.

Nós, pais, temos o papel de orientar os nossos filhos, guiar, ser o porto seguro e quem garante limites saudáveis e afeto incondicional.

Simplificando, educar um filho resume-se a mostrar-lhe o mundo, prepará-lo para a vida, com tudo o que ela contém de bom e de mau. Parece simples. É simples. Nem sempre é fácil.

Quando entramos em conflito com as crianças – problemas na hora da refeição, ou na hora de despachar para ir para a escola, ou quando vamos ao café, ou lutas entre irmãos, ou birras para tomar banho – em cada conflito reside uma oportunidade de aprendizagem, de educação, de modelagem da nossa parte. Uma oportunidade de guiar, de orientar, de mostrar o limite, se necessário.

Todos os conflitos se deveriam resolver com poucos passos:

  1. Reconhecer e aceitar emoções, necessidades, e desejos presentes
  2. Definir qual o problema, quem quer o quê
  3. Negociar uma solução em conjunto

Muitas vezes é fácil negociar uma solução em conjunto. Muitas vezes chegamos a um acordo com as crianças, só pelo facto de nos dispormos a ouvir o seu ponto de vista, sem críticas nem julgamentos (por muito ridículo ou descabido que pareça o ponto de vista da criança).

Outras vezes ao colocarmos o nosso limite como pais, na negociação… por exemplo:
Não fico confortável, como tua mãe, se te deitares depois das 21h30 em dias de escola. Esse é o meu limite.
– Como responsável pela tua saúde, não posso permitir que comas doces todos os dias, por isso hoje não vou permitir.

Quando temos de colocar o limite, muitas vezes eles não vão gostar, vão reclamar. Observemos a nossa atitude nesse momento: Ralhamos? Julgamos? Ficamos frustradas com a sua reação? Qual a nossa reação? O que se ativa cá dentro?

(Lá vens tu a chorar outra vez, sempre a mesma coisa. Eu já te tinha dito que não podia ser. Ai pah, pareces a tua irmã bebé, por favor, com a tua idade já deverias compreender. Já não te posso ouvir, dói-me a cabeça. Que chatice, tudo tem de ser um problema, já sabes muito bem que isso não quero, não deixo. Vê se te controlas e paras de chorar, não tens razão nenhuma para chorar. Etc.)

Quando os miúdos ficam infelizes com as regras parentais, o melhor a fazer será acolher as suas emoções: a tristeza, a raiva, a frustração, o desapontamento. Ser empático e gentil. E firme com os limites que definimos.

(Estás desiludido com esta situação. Sentes-te triste e querias ficar acordado mais tempo. Querias comer esse doce. Por ti, comias 10 doces, não era? Eu percebo, também adoro ficar acordada até tarde. Também adoro doces. Isso já aconteceu comigo uma vez. Sei como é chato. Como sou responsável pela tua saúde, tenho mesmo que garantir esta situação. O que podemos fazer para te sentires melhor?)

Não têm de gostar e aceitar prazerosamente todas as regras. A desilusão faz parte do crescimento. É importante para aprender a lidar com desilusões futuras, quem não as tem? A verdade é que as crianças precisam muito desses limites, como de um abraço apertado. O mundo é muito grande e eles sentem-se muito perdidos sem limites. Essas regras, estrutura, são muito importantes. É como se sentem amados. É connosco que eles têm de aprender a gerir as emoções menos fáceis, e vão testar e vão treinar isso com os pais, primeiro que tudo.

Se é fácil? Eles choram, berram, gritam… não é fácil, é horrível, às vezes. Estamos cansadas, não queremos ouvir mais um choro – e como sabem ser insistentes as crianças…

Eu ajo muitas vezes ao contrário do que quero – porque não tenho paciência, ou estou cansada… e não consigo implementar sempre aquilo que estou aqui a escrever. E está tudo bem. Eu sei que faz parte, que muitas vezes não consigo mesmo fazer melhor. Sou humana. Mas não defendo essas minhas atitudes e procuro manter-me vigilante comigo própria. Continuo na mesma a intencionar diariamente reagir aos meus filhos com calma, abertura e firmeza gentil.

Quando estou com mais dificuldade em me controlar, tenho de revisitar os meus comportamentos, perceber os meus padrões e crenças. De onde vêm os meus impulsos? Porque recorro tanto ao grito, à ameaça? Quanto mais expando o meu autoconhecimento, mais fácil é o autocontrolo. Tenho que estar disposta a olhar para dentro. A perceber que o problema não é o comportamento deles. É a minha reatividade. E nem toda a gente está disposta a isto, é a verdade.

Por isso a dica de hoje, mesmo a calhar para mim própria, é que as crianças não têm de gostar de tudo. Não têm de estar sempre felizes. Coloquemos os limites que achamos necessários, em consciência, e aceitemos as suas emoções e reações – mantendo as nossas próprias reações adequadas como exemplo aos mais pequenos, certo?

Há formas de facilitar e controlar a nossa reatividade como pais – mas isso é tema para outro post, ou podem sempre falar comigo por mensagem privada. Estou nesse processo e posso partilhar algumas coisas.

Até lá, fiquem bem, e sejam gentis uns para os outros.

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