5 Coisas Que Aprendi Com 2020 – Uma Espécie de Retrospetiva

5 Coisas Que Aprendi Com 2020 – Uma Espécie de Retrospetiva
Retrospetiva 2020

2020, um ano para lembrar

Ouço por todo o lado que este ano é para esquecer, que 2020 está cancelado, que finalmente o ano acabou e nunca mais queremos pensar nele. Bem, eu entendo o ponto da questão. Sei bem como foi difícil. Foi um ano do caraças, para não dizer outra coisa começada por ‘C’.

Infelizmente, para muitas pessoas, com perdas fortíssimas, de pessoas queridas, de empregos, de casas, de bem estar físico e emocional. Eu tive alguma sorte e fiquei-me pelos desafios mais mundanos: filhos em casa, dificuldades hiper acrescidas em gerir tudo na minha vida, isolamento social, dificuldades em aceder a certos bens e serviços, ter de usar máscara, etc. Mas todos tivemos saúde e isso conta mais que tudo.

Para as pessoas a quem o ano foi mais cruel do que a mim, entendo que o queiram esquecer o mais rápido possível. Mas vamos partir aqui de um entendimento em que não vamos medir sofrimentos, ok? Foi difícil para cada um de nós, com os respetivos desafios particulares, obviamente uns mais pesados do que outros, mas isto não foi fácil para ninguém.

Mesmo tendo em conta as situações mais delicadas, acredito profundamente que mesmo assim, fazendo o balanço, NÃO é um ano para esquecer. Esquecer, reprimir, fingir que não aconteceu este ou aquele evento das nossas vidas, é para mim, algo incompatível com a visão do Desenvolvimento Pessoal em que acredito.

Vejo o Desenvolvimento Pessoal como um eixo fundamental da Educação Positiva e Consciente, abordagem que defendo aqui nesta página, pois desenvolvermos a nossa pessoa pressupõe que nos coloquemos em questão e façamos por aprender todos os dias, usando o que nos acontece precisamente como uma alavanca para o desenvolvimento.

Para podermos educar filhos responsáveis e conscientes, acredito que temos de trabalhar o nosso Desenvolvimento Pessoal ao longo das nossas vidas.

Nesse sentido, não consigo conceber como alguém pretende esquecer um ano que se aprendeu tanto. Pois é, infelizmente até com os acontecimentos infelizes e desafiantes há aprendizagem e evolução. Parece que ser um humano consciente é mais ou menos isso. Aliás, parece até que é mesmo nos acontecimentos mais complicados que se aprende mais.

2020 a confinar famílias

Famílias em casa… nem tudo foram momentos bonitos como nesta imagem, sabemos disso!

Não se pode fazer uma espécie de retrospetiva de 2020 sem falar no confinamento. Para quem tem filhos, sem dúvida que foi um ano bem desafiante. Para muitas famílias, pela primeira vez, estiveram todos entre as mesmas 4 paredes muito tempo, muito juntos! O confinamento trouxe-nos uma realidade impensável em tempos ditos normais. E no fundo, não devia ser mais essa a normalidade dos nossos dias? Passar tempo com os filhos, acompanhar os seus estudos, perceber as suas rotinas?

Todos precisamos de descanso e de pausas, é certo, e a intensidade deste convívio “forçado” deixou muitos de nós de rastos. No entanto, fazendo o balanço, vendo por mim e por muitas famílias que partilharam o mesmo, foram tempos únicos e que muitos de nós até acabaram por apreciar e agradecer.

No fundo, tantos de nós passam a vida a queixar-se da rotina do trabalho, dos tempos perdidos em viagens casa-trabalho-casa, das horas tardias a que recolhemos os filhos nas creches e escolas. Acabou 2020 por nos trazer a oportunidade única de estarmos todos juntos. À custa de muito, bem sei. Ainda assim, sei que muitas pessoas retiraram disso o máximo valor que puderam. Eu sei que o fiz.

5 Lições Inesquecíveis de 2020

2020 foi um ano de muitas emoções, de muitos acontecimentos. Para mim foi um ano que apostei em muitas coisas novas, dei início a alguns projetos importantes pessoais e profissionais, aprofundei o meu autoconhecimento, e agradeci muito.

Estou super lamechas e estas coisas de retrospetivas e de palavras bonitas não costuma ser muito a minha cena, mas de facto após um ano tão cheio de complicações e provações à escala planetária, a verdade verdadinha é que me sinto mesmo abençoada e feliz, e muito consciente das minhas sortes.

Pensei um bocado e resolvi mesmo escrever as 5 lições que acho que 2020 me deixou, o que espremi de mais interessante e aquilo que quero guardar como positivo na minha vida deste louco 2020.

AMOR

Em janeiro de 2020 fiz uma tatuagem no meu pulso direito, um pequeno coração amarelo, para ser um lembrete diário de um dos meus mantras preferidos: “O AMOR é sempre a solução”. Veio a revelar-se muuuito mais útil do que tinha imaginado. Nos desafios com os meus filhos. Nos desafios com o meu companheiro de vida. Nos momentos de dúvida, de desconsolo, de desespero, de raiva. O amor é mesmo SEMPRE uma boa solução. Por nós mesmos, e pelos outros. Na escolha de certas palavras, na tomada de decisão para resolver certos conflitos intra e inter pessoais. Até na escolha se respondo ou não àquele comentário estúpido no Facebook. O amor é sempre a solução. Parece que fui visionária na minha tatuagem em Janeiro, porque olhei para ela muitas vezes mesmo, este ano, e foi uma âncora importante. Continua a ser.

RESILIÊNCIA

Neste ano de doidos todos tivemos o pensamento fugaz “não aguento mais isto”. Reaprendi que somos sempre capazes de muito mais do que aquilo que julgamos. Aprendi que essa ideia de que não aguentamos mais é uma distorção cognitiva que muitos de nós se colocam. A verdade é que embora as coisas possam ser desagradáveis, inconvenientes e difíceis, podemos de facto aguentar quase tudo. Por isso, alternativamente podemos pensar: “Eu não gosto disto, mas certamente que sou capaz de aguentar.” O nosso discurso interno conta muito para o nosso bem estar e equilíbrio emocional, e uma das coisas que 2020 me ensinou foi a confiar na minha resiliência, na minha capacidade de lidar com aquilo que a vida me apresenta. Com um pouco de flexibilidade aqui, mais uma cedência ali, umas expectativas ajustadas acolá, e somos mais fortes do que imaginamos!!

GRATIDÃO

Confesso que esta palavrinha me fazia urticária até há pouco tempo atrás. Era daqueles conceitos que achava super clichés e irritantes do desenvolvimento pessoal. Talvez porque seja usado tantas vezes levianamente. Neste ano fiz as pazes com esta palavra talvez porque pela primeira vez atingi a dimensão do conceito, senti-o com toda a força no peito, fez-me transbordar o coração variadas vezes. Li algures que a gratidão é o antídoto para a ansiedade e não podia concordar mais. Sentir de verdade todas as nossas bênçãos e reconhecer tudo aquilo que temos de bom na nossa vida é mesmo a cura para muito mau estar e para muito sofrimento. Trata-se de ver o copo meio cheio, e sim, continua a ser um cliché, mas há clichés mesmo verdadeiros, não achas?

AUTOCOMPAIXÃO

Esta era outra palavrinha que me metia uma certa confusão porque não sabia bem do que se tratava. É um conceito mais complexo para mim de alcançar, talvez porque eu alimento um feroz crítico interno que não me dá descanso há muitos anos. Felizmente uma das minhas melhores decisões este ano foi iniciar um processo de terapia, e neste processo estou a trabalhar esta questão da autocompaixão. Foi e continua a ser uma descoberta interessantíssima a forma como muitos de nós nos julgamos em pensamento. O impacto que isso tem em tanta coisa na nossa vida. Nas questões de ansiedade, nas nossas relações com os outros. Nos processos de culpa, vergonha, senso de incompetência que vivenciamos. Descobrir sobre a autocompaixão mais profundamente está no meu top 5 de 2020 porque sinto que me está a trazer benefícios incalculáveis. E estou só no começo.

FLEXIBILIDADE

Esta foi uma lição que tenho vindo a aprender há algum tempo, no entanto este ano teve uma expressão profundamente mais intensa do que em qualquer outro. Planos deitados por terra, refeições pensadas em cima da hora, mudança de local de trabalho a toda a hora, cedências em relação às regras que tantas vezes quero criar para a minha família. Perceber que a melhor pergunta para solucionar tantos problemas é mesmo: “O que é mais importante agora?”. Abdicar do controlo, largar cada vez mais a rigidez, adaptar às necessidades de cada um e de cada situação, deixar a coerência para adotar cada vez mais a congruência. Encaixar novas regras sociais, novas formas de estar, de cumprimentar, de conviver. Sem dúvida este conceito trouxe-me fortes aprendizagens neste ano doido.

2021: mais um ano, mais uma viagem

Sim, cada passagem de ano acaba inevitavelmente por trazer uma renovação de ciclos, mais que não seja, energéticos e mentais. Porque na verdade nada muda das 23h58 de dia 31 dezembro 2020 para as 00h03 de dia 1 de janeiro de 2021. Quase me diverte a ingenuidade dos posts nas redes sociais, com uma esperança meio infantil de que “este ano é que vai ser”, “finalmente 2020 acabou” e assim e assado. Mas pronto, eu entendo. É um novo ano, lá está, um novo ciclo, de alguma forma. E se sentimos neste novo ciclo que há de alguma mínima oportunidade para termos mais motivação, mais energia, para sermos melhores pessoas, ótimo!!

Apenas nos alerto a todos nós, amigos e amigas, que as resoluções de ano novo tendem a cair no esquecimento muitas vezes logo antes de janeiro acabar. Por isso, este ano, se vamos meter esperança, resoluções e metas, vamos em forte, porque os tempos que passámos pedem mais do que desejos imaginados ao sabor de 12 passas e esquecidos quase logo de seguida ao sabor de goles de espumante.

O mundo precisa mesmo de pessoas melhores. Mas não te preocupes, se estás a ler isto, aposto que já és uma das melhores pessoas que podia habitar este nosso curioso planeta!

Obrigada por estares aí e juntos vamos fazer dos tempos vindouros o melhor que conseguirmos. E está tudo bem. 💛

FELIZ 2021!

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