Apenas Um Sábado De Manhã Normal

Apenas Um Sábado De Manhã Normal
Educar para a responsabilidade

Levantámo-nos ligeiramente mais tarde que o habitual, forçámos ali aquela ronha boa de manhã… O cansaço da semana acumula, e sabe bem não ter horas para sair da cama. Porque o acordar… é sempre cedo. O sistema das crianças não sabe bem essas diferenças de dias úteis para dias de fim de semana…

Não lhes vou dar cereais (pequeno almoço menos saudável e preguiçoso), hoje é panquecas!”, decidi eu, já que é sábado e temos tempo. Temos tempo mas não temos gás. Ligar ao Sr. do gás, daqui a bocado já vêm entregar. Vá lá que tem entregas ao sábado. Pai das crianças sai para trabalhar, temos uma baixa. Sozinha com eles a coisa torna-se logo mais desafiante. Comeram cereais, claro que não quiseram o meu iogurte com fruta e granola. Terminei o meu pequeno-almoço e pedi ao meu filho que me tirasse um café, coisa que ele adora e o faz sentir super importante e útil. Logo a irmã mais pequena quis ajudar, e complicou-se logo a tarefa. Segue-se discussão sobre quem carrega no botão, quem coloca a cápsula, quem vai buscar a caneca. Toda uma divisão de tarefas para tirar um café, que tardou e quando chegou, vinha tipo água chilra, sabem… “Isto passa-se qualquer coisa Pedro, tens de tirar outro, este não ficou bom.” “Mãe de certeza que é da água! Está podre!” … ” Não está podre Pedro, colocámos ontem e o pai acabou de tirar um café, apenas coloca uma nova pastilha e tenta de novo”.

Não demovi o meu filho com as suas certezas sobre as coisas. Retirou o recipiente da máquina, despejou a água e foi encher de novo. Quis usar um reservatório de água que temos em casa para encher (tipo garrafão com uma torneirinha) mas aquilo estava vazio e quando ele o tenta alcançar, caiu da prateleira abaixo para trás da arca. Ele foi à garagem buscar um garrafão novo de água para reencher o reservatório, lá apareceu com os 5 litros de água às costas. Enquanto ele abria o garrafão, a minha filha, a 2 metros de distância, supostamente já desfraldada, abria as pernas e fazia uma cara comprometida enquanto se aliviava pernas abaixo.

Corro a ir buscar o bacio e toalhitas e enquanto resolvo este contratempo, ouço o meu filho a subir para cima da arca, fazer acrobacias para resgatar o tal reservatório com torneirinha, para o encher. Às tantas diz: “Mas está aqui algo mal”. Quando levanto os olhos das calças e cuecas mijadas, está ele a continuar a encher o reservatório enquanto toda a água vai saindo pelo buraco que fez quando caiu atrás da arca, e tenho um rio na cozinha. Bem, vou ao quarto buscar novas calças para a Inês quando reparo que, de novo, uma das camas tem uma poça de xixi. Os repasses noturnos andam diários. Ffffuuuuuuuuuuu.

Resolvo tudo o que consigo – envolve balde e esfregona, máquinas de roupa, estender edredões e lençóis, de ontem, de hoje, de anteontem, mais roupas que vieram da escola, roupas com cocó de ontem à noite quando estávamos num restaurante e a minha pequena se aliviou em plenas cuecas enquanto jantava), e penso que preciso de tempo de qualidade. Vou para o quarto brincar com os meus filhos durante um pouco. Apesar dos vários lembretes, a Inês que jurava não ter vontade, volta a criar uma poça aos seus pés. OK, são 11 horas e vamos na terceira muda do dia. Vou a correr buscar o bacio e as toalhitas, que estavam na sala, quando vejo o telefone a piscar na mesa. “Ai queres ver que o Sr do gás já ligou”, penso eu. Tal e qual, três chamadas, já cá esteve, já se foi embora, vá-se lá saber agora quando terá tempo para voltar. “Ótimo“, penso eu sendo irónica comigo mesma, “nem tenho que fazer o almoço nem nada….

Que se lixe, vamos continuar a montar os playmobis de piratas misturados com cowboys.

Afinal, a vida é uma brincadeira que passar num piscar de olhos.