“Não Quero Ir Para A Escola”

“Não Quero Ir Para A Escola”
Não quero ir para a escola

Mas eu não quero ir para a escola!! Eu não vou à escola!!” anunciou o meu filhote esta manhã, quando eu o incentivei a despachar-se, pois vi que se andava arrastando pela casa, adiando infinitamente as suas tarefas matinais de lavar os dentes e vestir-se! O pai à pressa para sair, a irmã a derrubar cereais na cozinha. O cenário perfeito para um belo conflito e uma grande birra!

Eu poderia, como já aconteceu tantas vezes, ter recorrido a frases do género “Mas tens que ir, vá, vai-te vestir antes que a gente se chateie!”, “Vamos embora, vá, sabes muito bem que tens de te vestir, já te disse mil vezes“, ou ainda “Se não te despachas depressa, hoje à noite não vês desenhos animados!” – o que teria provavelmente resultado em choro, gritos, mais resistência e discussão.

O que optei por fazer, depois de parar e pensar dois segundos enquanto olhava para ele, foi sentar-me no chão da sala, e chamá-lo ao meu colo. Dei-lhe um beijinho e perguntei: “Não te apetece ir para a escola, hein? O que te apetecia fazer em vez disso?”

O meu filho responde prontamente: “Se eu ficasse em casa, ia fazer desenhos todo o dia, naquelas cartolinas, e recortar com as tesouras superfortes que tenho no meu armário.” diz ele enquanto aponta para umas grandes folhas brancas que eu tinha em cima da mesa.

Ok, tenho uma ideia”, disse-lhe eu. “Que tal enrolarmos uma cartolina dessas que eu te dou, e levas para mostrar à tua professora e fazes lá um super desenho para me mostrares à tarde?”

Sim, boa pode ser, na escola também tenho umas tesouras superfortes, não tão fortes como as nossas, mas servem, e a minha professora vai achar mesmo fixe esta folha gigante”, diz o meu filho prontamente, e levantou-se para se ir vestir!

UAU, pensei eu. Foi fácil! Foi rápido! Nem eu pensei que fosse ser tão rápido. Nem sempre é, claro! Nem sempre funciona à primeira, nem tão facilmente! Mas é certo que tenho conseguido evitar muuuitas birras e momentos conflituosos aplicando o que tenho aprendido com a Parentalidade Consciente.

Não é assim tão difícil colocarmo-nos no lugar da criança, ouvir empaticamente o seu ponto de vista, reconhecer as suas emoções do momento. Para quem diz que “não há tempo” na correria do dia a dia para aplicar este tipo de estratégias, fica a prova de que por vezes até nos poupa tempo, comunicar de forma mais consciente, ser mais gentil e ouvir com atenção os nossos filhos.

E sem dúvida, a relação entre mim e ele só ficou a ganhar.? <3

Ah, e os cereais no chão da cozinha? O nosso cãozinho regalou-se a “aspirá-los”, também foi uma rápida solução!! ??

Uma boa semana a todos!

(texto originalmente publicado a 26.02.2018 em facebook.com/educarladoalado)