Quando As Crianças “Se Fazem De Difíceis”

Quando As Crianças “Se Fazem De Difíceis”
Quando as crianças se fazem de difíceis

Inês, chegou a hora de lavares o rabo para te vestires e irmos para a escola, o pai está quase despachado para sair.” ……. disse eu, esta manhã, à minha filha de 3 anos, que estava a brincar com os Legos pequenos do irmão.
Segue-se pequeno grande drama: “não queeeelo ileee” “não me quelo laváleeee” “limpa-me com toalhitaaaas, mãaaee“, esbraceja, foge, grita. ?‍♀️

Após umas tentativas de a levar a bem, lá me cresceu uma impaciência e quase, quase a peguei pelos braços à força, “Olha não queres mas tens de vir porque o teu pai tem de trabalhar e ele está à pressa etc etc etc ” e ela iria de certeza contorcer-se e fazer-se de mole, e dificultar fisicamente a situação o máximo que conseguisse. Eventualmente poderia chegar a gritos (das duas) e choro e um banho forçado no meio de lágrimas.
Não posso dizer que nunca aconteceu ??

Era de manhã, e o pai não se podia atrasar porque ia para uma formação depois de a deixar na escola, e a Inês apetecia-lhe brincar mais com os Legos pequenos do irmão, até porque raramente ele deixa.

Então, tenho aqui esta situação, pensei eu. O que faço?

Inspirei, expirei, e dei graças pelo que tenho aprendido com a Parentalidade Consciente. Sabia que ia funcionar.
Parei com ela no chão na cozinha e ficámos sentadas as duas. Quando achei uma brecha disse-lhe: “Inês, ok, não vamos já tomar banho, ficamos aqui um pouco…… Estava a ver que tu adoras brincar com Legos. Gostas dos do mano, os pequenos, adoras os teus Duplos, porque tem um escorrega e um porquinho e uns meninos e dá para fazer casas, e agora descobriste os legos Megablocks na garagem e com aqueles tens feito quintas enormes para os animais.
Xim” disse ela de cabeça baixa, visivelmente interessada na minha conversa e também mais calma.

Seguiu-se alguma conversa sobre Legos e outras coisas (máximo 2 minutos) e a Inês foi para o banho colaborando agradavelmente.

Então, na prática:

Identificar, nomear, explicar o que a criança está a sentir, em qualquer birra, ajuda-a a lidar com a situação. Muitas vezes vão reparar que basta dizer, assertivamente, coisas do género:
– Tu não queres tomar banho!
(ou seja lá o que for que querem ou não querem nessa birra…)
– TU não queres tomar banho. Não queres mesmo. Se tu pudesses mandar agora, dizias “Não vou tomar banho”. E se calhar nem tomavas banho o resto da semana.
(Normalmente isto provoca no mínimo um aceno de cabeça por parte deles)
– Estás chateado porque tens de tomar banho/ Estás furioso porque querias continuar a ver TV / Estás aborrecido porque não te apetece despir. (furioso é diferente de aborrecido e por aí fora – prestar atenção à emoção certa é essencial)
– Também fico aborrecida quando tenho que fazer uma coisa que não gosto. Ainda hoje me aconteceu, não queria nada lavar a loiça, fiquei mesmo irritada, mas depois respirei fundo e passou-me. Se pudesse não tinha lavado aquela loiça. (contar histórias sobre nós, quando sentimos emoções semelhantes, é outra forma de mostrar empatia, e outra oportunidade para ensinar como se lida com as emoções difíceis)

Ou seja, ver pelos olhos da criança, sentir o ponto de vista da criança, colocar em palavras, ser empático. Vão ver que apenas isto acalma a criança. Asseguro 95% das vezes – desde que consigam vocês se manter serenos enquanto ajudam a criança a lidar com o que sente. (mesmo que o que ela sente seja parvo ou não faça sentido!)

ATENÇÃO, isto não significa de todo que a criança vai ter o que quer, ou que tem de ser feito à sua maneira. Trata-se de ouvir e entender a criança, sem julgar, sem criticar, sem ordenar. Apenas têm que passar a vossa mensagem, do que é importante para VOCÊS como pais, continuando sempre a ser respeitadores do ponto de vista da criança.

Como a criança não pode ter o que quer naquele momento, após terem feito os passos acima, podem acrescentar algo do género, sempre serenos:
– AGORA é hora de tomar banho. Como sou tua mãe e tenho de garantir que estás limpo vou-me assegurar que tomas banho agora. Sou responsável pela tua higiene, não vou falhar a minha tarefa! Agora temos MESMO que tomar banho, lamento imenso que te sintas aborrecido. Esperamos apenas que te sintas um pouco melhor e de seguida tomamos banho.

Até pode ser que as crianças resistam mais um pouco, que insistam na birra, mas se os adultos se mantiverem serenos e confiantes na sua posição (às vezes implica ficar calado um pouco), garanto que funciona. Porque as crianças percebem quando não têm opção, e colaboram melhor quando se sentem compreendidas. Sem ser preciso gritar, bater, puxar pelo braço ou mesmo forçar fisicamente. Têm é de garantir que, se não é para fazer mais nada a não ser tomar banho, não podem MESMO fazer mais nada. Não podem brincar, não podem sair do local, etc. Esse tipo de coisas os adultos conseguem evitar fazendo uma barreira física defensiva (e nunca ofensiva).

A história da Inês acima foi para dar-vos um pequeno exemplo do meu dia a dia. Muitas vezes acaba mal ou corre mal, porque ninguém disse que é fácil a tal parte da serenidade, mas situações como a que descrevi acontecem-me já muitas vezes, graças a novas abordagens que escolho ter na interação com os meus filhos, e graças a uma COMUNICAÇÃO CONSCIENTE.

Se quiseres saber mais contacta-me, terei todo o gosto em adaptar as dicas ao teu desafio particular!

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